casa carpina

FICHA TÉCNICA

Arquitetos: NEBR arquitetura
Localização: Carpina, Pernambuco, Brasil
Autor: Edson Muniz
Equipe: Amanda Brandão e Chico Santos
Construção: RWM Construtora
Área: 240,00 m²
Ano do projeto: 2020
Fotografias: Manuel Sá
Fabricantes: Seves Glass Block, Alcoa, Pamesa, Tramontina, Deca

MEMORIAL DESCRITIVO

No céu do município interiorano de Carpina, há sempre uma revoada a passar, há sempre um pássaro a cantar. Neste cenário tão singular, o desenho da casa de campo emerge em sua condição primária – desfrutar a atmosfera envolvente mediante uma arquitetura sem excessos. A geratriz do partido arquitetônico advém do corte longitudinal da geografia em declive e se apropria do perfil natural do sítio em meio à Zona da Mata Pernambucana.

O processo projetual pragmático compreende as premissas impostas à sua dicotomia – equilibrar razões de ordem econômica e construtiva. Em síntese, o sistema construtivo convencional em concreto armado, onipresente no território, valida desdobrar e traçar uma arquitetura identitária dentro das possibilidades. Para tanto, a acuidade técnica dos projetistas no canteiro de obras orquestra o aparato consciente na materialização dessa dialética.

O traçado regulador das plantas assume uma divisão modular, ao ordenar e acomodar um escopo programático denso para uma residência de 240m² de área construída, distribuídas em dois pisos. Por outro lado, apesar da conformação compacta do programa doméstico, a resolução geométrica do vazio edilício sucede qualificar a ambiência dos espaços ocupados, na tentativa de legitimar diálogos com a fruição da paisagem rural ininterrupta envolta ao habitat. 

A partir da articulação de sólidos ortogonais volumetricamente díspares, a expressão plástica de projetação rigorosa visa acentuar o rigor geométrico com uma certa fragmentação ao subverter protagonismos formais. A linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem compreende por vezes cursos contínuos, ora descontínuos, desponta ao avançar e retrair a caligrafia de arestas não coplanares. 

Em sua materialidade, o projeto faz proveito da sinergia tangível na profusão dos blocos de vidro em atenuar a luz natural por uma ótica plural. Essa experiência conjuga uma sensível narrativa poética em virtude da sombra, entre a coexistência métrica dos blocos ante o bordado esguio da natureza ali posta. 

Outro elemento suscita um papel notável em seu íntimo, um inesperado passadiço envidraçado paradoxalmente paira sobre a paisagem e testemunha o finito ao gravitar as interfaces natural e edificada o significado perene do espaço. A existência precede a sua essência, essa valia perpetua a alma da casa – a elegia do vazio edificado frente à natureza sublime. 

casa carpina

FICHA TÉCNICA

Arquitetos: NEBR arquitetura
Localização: Carpina, Pernambuco, Brasil
Autor: Edson Muniz
Equipe: Amanda Brandão e Chico Santos
Construção: RWM Construtora
Área: 240,00 m²
Ano do projeto: 2020
Fotografias: Manuel Sá
Fabricantes: Seves Glass Block, Alcoa, Pamesa, Tramontina, Deca

MEMORIAL DESCRITIVO

No céu do município interiorano de Carpina, há sempre uma revoada a passar, há sempre um pássaro a cantar. Neste cenário tão singular, o desenho da casa de campo emerge em sua condição primária – desfrutar a atmosfera envolvente mediante uma arquitetura sem excessos. A geratriz do partido arquitetônico advém do corte longitudinal da geografia em declive e se apropria do perfil natural do sítio em meio à Zona da Mata Pernambucana.

O processo projetual pragmático compreende as premissas impostas à sua dicotomia – equilibrar razões de ordem econômica e construtiva. Em síntese, o sistema construtivo convencional em concreto armado, onipresente no território, valida desdobrar e traçar uma arquitetura identitária dentro das possibilidades. Para tanto, a acuidade técnica dos projetistas no canteiro de obras orquestra o aparato consciente na materialização dessa dialética.

O traçado regulador das plantas assume uma divisão modular, ao ordenar e acomodar um escopo programático denso para uma residência de 240m² de área construída, distribuídas em dois pisos. Por outro lado, apesar da conformação compacta do programa doméstico, a resolução geométrica do vazio edilício sucede qualificar a ambiência dos espaços ocupados, na tentativa de legitimar diálogos com a fruição da paisagem rural ininterrupta envolta ao habitat. 

A partir da articulação de sólidos ortogonais volumetricamente díspares, a expressão plástica de projetação rigorosa visa acentuar o rigor geométrico com uma certa fragmentação ao subverter protagonismos formais. A linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem compreende por vezes cursos contínuos, ora descontínuos, desponta ao avançar e retrair a caligrafia de arestas não coplanares. 

Em sua materialidade, o projeto faz proveito da sinergia tangível na profusão dos blocos de vidro em atenuar a luz natural por uma ótica plural. Essa experiência conjuga uma sensível narrativa poética em virtude da sombra, entre a coexistência métrica dos blocos ante o bordado esguio da natureza ali posta. 

Outro elemento suscita um papel notável em seu íntimo, um inesperado passadiço envidraçado paradoxalmente paira sobre a paisagem e testemunha o finito ao gravitar as interfaces natural e edificada o significado perene do espaço. A existência precede a sua essência, essa valia perpetua a alma da casa – a elegia do vazio edificado frente à natureza sublime. 

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