FICHA TÉCNICA
Arquitetos: NEBR arquitetura
Local: Paudalho, Pernambuco, Brasil
Autor: Edson Muniz
Equipe: Rita de Cássia
Área do terreno: 405,00 m²
Área construída: 150,00 m²
Ano do projeto: 2025
Conclusão da obra: 2026
Interiores: NEBR arquitetura
Paisagismo: Milena Laís
Engenharia: José Ferreira
Construção: Edivaldo Cabeludo
Gerenciamento e coordenação de obra: NEBR arquitetura
Fotografias: Felipe Petrovsky
Fabricantes: Seves Glass Block, Lanxess, Tigre, Tintas Coral, Leão Metais, Celite, Alcoa, Norvidro
MEMORIAL DESCRITIVO
Entre o mar e o sertão, a Zona da Mata pernambucana é caracterizada pelo clima tropical úmido e vegetação densa de Mata Atlântica. Construída nesse solo fértil, a arquitetura nasce de um contraste poético, recusando fórmulas e afirmando que o Nordeste revela novos sotaques – sem eira, nem beira, nem tribeira. Essa diversidade linguística reverbera inventividade e respeito a tradição, dialética essa que contraria a previsibilidade, mas estabelece novos paradigmas.
A árvore é a essência da matéria e a escassez formal, um ato de respeito. Ao adotar o etéreo como princípio e o sólido geométrico como forma, o projeto se distancia da arquitetura do espetáculo para abraçar a arquitetura do silêncio. Aparentemente silenciosa, a beleza moral não busca validação e não carece de defesa, tampouco de ornamentos. Perene, o prisma hermético corresponde à antítese da ostentação visual – sua principal virtude não se exibe, se vive.
Essa interlocução silente segue um raciocínio de percepção espacial imersiva e o que pode ser interpretado como introspecção, é na verdade um ato de preservação. Se a fachada é o tecido cortado com precisão para o mundo, o avesso do bordado é onde o alfaiate manifesta o valor do tear – a beleza da sombra não está na perfeição dos acabamentos, mas na tessitura dos materiais.
A discrição da casca austera se opõe a alma vibrante do espaço interno, ao criar uma correnteza de percursos e descobertas. Se o prisma branco compõe a densidade do silêncio, o chão azul abissal é a profundidade da melodia que o acompanha. Esse mergulho sensível no oceano navega por curvas ao estabelecer uma hierarquia funcional e poética: a linha reta mora onde a linha curva trabalha.
Esse rito existencial representa a síntese de uma existência, onde ser e fazer são fios indissociáveis de uma trama genuína. Entre o que é eterno e o que se desfaz, o peso da arquitetura é o que ancora o ser no tempo.
FICHA TÉCNICA
Arquitetos: NEBR arquitetura
Local: Paudalho, Pernambuco, Brasil
Autor: Edson Muniz
Equipe: Rita de Cássia
Área do terreno: 405,00 m²
Área construída: 150,00 m²
Ano do projeto: 2025
Conclusão da obra: 2026
Interiores: NEBR arquitetura
Paisagismo: Milena Laís
Engenharia: José Ferreira
Construção: Edivaldo Cabeludo
Gerenciamento e coordenação de obra: NEBR arquitetura
Fotografias: Felipe Petrovsky
Fabricantes: Seves Glass Block, Lanxess, Tigre, Tintas Coral, Leão Metais, Celite, Alcoa, Norvidro
MEMORIAL DESCRITIVO
Entre o mar e o sertão, a Zona da Mata pernambucana é caracterizada pelo clima tropical úmido e vegetação densa de Mata Atlântica. Construída nesse solo fértil, a arquitetura nasce de um contraste poético, recusando fórmulas e afirmando que o Nordeste revela novos sotaques – sem eira, nem beira, nem tribeira. Essa diversidade linguística reverbera inventividade e respeito a tradição, dialética essa que contraria a previsibilidade, mas estabelece novos paradigmas.
A árvore é a essência da matéria e a escassez formal, um ato de respeito. Ao adotar o etéreo como princípio e o sólido geométrico como forma, o projeto se distancia da arquitetura do espetáculo para abraçar a arquitetura do silêncio. Aparentemente silenciosa, a beleza moral não busca validação e não carece de defesa, tampouco de ornamentos. Perene, o prisma hermético corresponde à antítese da ostentação visual – sua principal virtude não se exibe, se vive.
Essa interlocução silente segue um raciocínio de percepção espacial imersiva e o que pode ser interpretado como introspecção, é na verdade um ato de preservação. Se a fachada é o tecido cortado com precisão para o mundo, o avesso do bordado é onde o alfaiate manifesta o valor do tear – a beleza da sombra não está na perfeição dos acabamentos, mas na tessitura dos materiais.
A discrição da casca austera se opõe a alma vibrante do espaço interno, ao criar uma correnteza de percursos e descobertas. Se o prisma branco compõe a densidade do silêncio, o chão azul abissal é a profundidade da melodia que o acompanha. Esse mergulho sensível no oceano navega por curvas ao estabelecer uma hierarquia funcional e poética: a linha reta mora onde a linha curva trabalha.
Esse rito existencial representa a síntese de uma existência, onde ser e fazer são fios indissociáveis de uma trama genuína. Entre o que é eterno e o que se desfaz, o peso da arquitetura é o que ancora o ser no tempo.